Na iminência de vermos comprometida a continuidade de significativa parcela do setor produtivo nacional e da perda efetiva de postos de trabalho que atingirão milhares de brasileiros, é fundamental que a voz das instituições que representam a classe produtiva se levante.
Nesse viés, a CICS Serra, que representa 17 associações empresariais da Serra Gaúcha e milhares de CNPJ’s e vagas de trabalho que, juntos, constroem um dos maiores PIB´s do Estado do RS (e seguramente a região do RS que será mais impactada com o tarifaço), vem acompanhando de perto o deslinde de tal demanda e, infelizmente, constata que, de parte das lideranças políticas e governamentais, a quem foi delegado pelo povo brasileiro o poder e o dever do exercício da diplomacia, nada está sendo feito.
Desde que anunciado o tarifaço, lamentavelmente, o que se acompanha nas manifestações diárias dos Poderes instituídos e suas lideranças são discursos completamente contaminados pelo viés ideológico e pelo oportunismo, ambos, visando atingir um capital político que poderá lhes beneficiar em um futuro muito próximo.
Inaceitável que o Governo Federal (com mandato delegado pelos cidadãos para atuar na defesa dos interesses do povo brasileiro), invariavelmente, venha adotando uma postura de enfrentamento, provocação e auto suficiência (absolutamente inexistente) frente a uma nação que absorve mais de 15% de todas as nossas exportações. Seguramente, não é esse o melhor modelo de tratamento que deva ser dispensado a um parceiro internacional (ainda mais da grandeza dos EUA).
Igualmente, não podemos silenciar, diante da postura absolutamente oportunista, ideológica e desconectada dos interesses da nossa nação por parte da oposição ao governo que, pelas suas reiteradas manifestações, adota um discurso nítido do “quanto pior, melhor”. Parece que ignoram o fato de que, no futuro (próximo ou não), poderão estar à frente da governança do país e, pior, bebendo do próprio veneno.
Convocamos as lideranças políticas e institucionais que, desapegadas das questões político partidárias e ideológicas, construam um ambiente de convergência e unidade para encontrar “urgentemente” uma saída com base na diplomacia e nos interesses do Brasil, sob pena de amargarmos momentos de retrocesso econômico e social que, certamente, escreverão páginas amargas da história do nosso país.
Acreditamos que aquilo que, a princípio, se mostra como um “entrave econômico”, possa se transformar numa grande oportunidade de protagonismo e exercício de liderança, visando a construção de uma nova relação com um “grande parceiro comercial” (o segundo maior) que são os Estados Unidos da América, pois é assim que nós, da iniciativa privada costumamos tratar nossos parceiros de negócios.
Por fim, reiteramos nosso compromisso com nossas associadas e com a Serra Gaúcha permanecendo atentos aos acontecimentos e contribuindo com todos os nossos recursos institucionais na construção de um ambiente de negócios que possa permitir o desenvolvimento e a prosperidade da nossa região e do Rio Grande do Sul.
Edmilson Norberto Zortéa
Presidente






